14 de jul. de 2016

CINEASTA DAS INQUIETAÇÕES

Hector Babenco, Cinema Brasileiro, Cinema, Sétima Arte, Filmes
Hector Babenco foi considerado um dos maiores diretores de cinema
Foto: Reprodução

O cineasta Hector Babenco teve seu primeiro contato com a sétima arte aos sete anos de idade. Nascia ali um misto de paixão e alumbramento recheado de desejos por contar histórias. Esses desejos o acompanharam até ontem, (13/06), quando sua trajetória de sucesso e “tesão pelo cinema” – como costumava afirmar, foi interrompida aos 70 anos por um ataque cardíaco.

De ascendência judaico-ucraniana, Babenco nasceu na turística Mar del Plata, mas não gostava que lhe chamassem de naturalizado brasileiro. “Sou um brasileiro que nasceu na Argentina”, costumava reiterar, apesar de continuar exercitando o sotaque portenho.

Um dos primeiros cineastas brasileiros que alcançou respeito internacional pós Cinema Novo, ao longo de 43 anos de carreira e mais de dez filmes, Babenco vivenciou seu amor pelo cinema também como roteirista e produtor.

Em seus filmes, personagens marginalizados foram destaque e muitas vezes eram maiores do que as situações em que se encontravam. Viviam sempre no limite e pareciam estar constantemente à beira do abismo em luta consigo mesmo e com seu duplo.

Urgência e ruptura marcaram sua filmografia permeada por cenas fortes, mas também repletas de beleza estética como em Pixote, eleito como um dos 100 melhores filmes de todos os tempos.

Inquietação e inconformismo fizeram Babenco exercer com propriedade a máxima repetida por Paulo Autran de que “cinema é arte do diretor”.

Diretor que soube expressar o bom e o ruim presentes na humanidade, Hector Babenco foi um ótimo contador de histórias, como devem ser os cineastas.

Histórias que conseguiram atravessar o tempo e através de sua filmografia continuarão revelando o humano que ele sempre fez questão de desnudar.

R.I.P., Hector Babenco!


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