4 de mai. de 2016

VIA CRUCIS


Dilma; Lula; Golpe; Temer: Lava Jato; Corrupção; Brasil; Política
Foto: Lula Marques/Agência PT (17/03/2016) Fotos Públicas

A decisão tomada ontem (03/05) pela Procuradoria Geral da República deixou o inferno astral da presidente Dilma Rousseff e o martírio do ex-presidente Lula longe de terem um final feliz. Na verdade, o calvário de Dilma e Lula só está começando. 

A via crucis deles e do PT passará pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e o tiro de misericórdia poderá ser dado em Curitiba pelas mãos do juiz Sergio Moro e pelos eleitores no pleito de 2016.

A retirada de Dilma do poder, ao que tudo indica, não é suficiente. É preciso inviabilizar também, se não politicamente, pelo menos jurídica e moralmente, a candidatura de Lula em 2018. 

A capacidade do ex-presidente de superar desafios e a facilidade em sair direta ou indiretamente vitorioso dos embates que campeia, sempre foi uma ameaça constante para os seus inimigos.

As justificativas do procurador-geral Rodrigo Janot para pedir a abertura de inquérito da dupla petista e do advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, por suspeita de obstrução da Lava Jato, foram recebidas como fortes e contundentes pela classe política, tanto que deixaram Lula deprimido e chateado, segundo informações da jornalista Mônica Bergamo.

Ao promover a abertura do inquérito Janot pôs na boca da oposição e nas mãos de alguns setores da imprensa os argumentos que queriam, queimando um pouco mais a imagem do ex-presidente e tornando remota a possibilidade dele entrar na disputa de 2018.

Se Lula demonstrava estar um tanto quanto fragilizado e seu futuro político incerto, sua provável candidatura fragmentou-se e deixou a imagem do PT mais pulverizada. 

Mas, antes mesmo do grande teste nas urnas em 2018, o partido terá de enfrentar sua primeira provação pública nas eleições de 2016.  Por enquanto, as perspectivas não estão tranquilas nem favoráveis. Baixas também já começaram a acontecer. 

Preocupados em não terem sua reputação atrelada à imagem de um partido que é acusado de profissionalizar a corrupção no Brasil, 11% dos prefeitos eleitos em 2012 abandonaram recentemente a legenda, segundo reportagem da Folha de S. Paulo.

Enquanto o destino dos líderes petistas estará nas mãos do Supremo Tribunal Federal, o futuro do partido dependerá mais do que nunca do voto dos eleitores. 

Entretanto, o atual horizonte eleitoral acinzentado em que o PT se encontra tende a tornar mais difícil a possibilidade do Partido dos Trabalhadores volta a voar em um céu de brigadeiro. 

Se na justiça divina as coisas acontecem no tempo determinado por Deus, na justiça brasileira as decisões políticas e judiciais acontecem no tempo determinado por Janot, Zavascki, Moro e companhia limitada. 

Se depender deles, o destino se confirmará implacável e a Fênix petista dificilmente ressurgirá tão cedo.


Local: SÃO PAULO São Paulo, São Paulo - SP, Brasil

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