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| Miguel Arraes até hoje ainda é querido e lembrado por seu povo Foto: Divulgação |
Cearense de
nascimento, desde os dezesseis anos Arraes adotou Pernambuco como estado de origem e seu domicilio
eleitoral. A partir dali alcançou notoriedade como deputado estadual por duas
vezes consecutivas, deputado federal por três legislaturas, prefeito, e governador do estado por três vezes.
De orientação
esquerdista, Arraes fez dos ideais socialistas suas diretrizes e viveu toda sua
vida pública e política no estabelecimento e na prática de ações igualitárias e
coletivas.
Por adotar medidas que
colocavam em risco o poder dos coronéis, dos usineiros e donos de engenhos de
cana de açúcar, Miguel Arraes começou a ser mal visto pelas elites sociais e econômicas,
mas caiu nas graças e na aprovação do povo.
Como governador
estendeu o pagamento do salário mínimo aos trabalhadores rurais, bem como a eletrificação e o abastecimento de água para que se livrassem da dependência da oligarquias dos donos de terra.
Favoreceu também a criação de sindicatos, associações comunitárias e ligas camponesas, movimento que defendia e pregava abertamente a reforma agrária e a igualdade de direitos.
Favoreceu também a criação de sindicatos, associações comunitárias e ligas camponesas, movimento que defendia e pregava abertamente a reforma agrária e a igualdade de direitos.
Com o golpe militar
foi “convidado” a renunciar, mas recusou-se “por não trair a vontade dos que me
elegeram”. Foi deposto e peregrinou por algumas prisões. Após ter sido solto,
exilou-se na Argélia por quase 15 anos e foi considerado subversivo pelo (des)governo
militar.
Em 1979, retornou ao
Brasil e voltou para os braços do povo, elegendo-se facilmente deputado federal
e governador pelo PMDB, sempre implantando medidas que beneficiavam os
trabalhadores rurais e as populações urbanas desfavorecidas.
Em 1990 filiou-se ao
PSB voltando a ser eleito governador. Em 1998 perdeu a eleição majoritária e só voltou a atuar politicamente em 2002, elegendo-se deputado federal, mas sem
a facilidade de antes.
Crítico do
personalismo político e opositor dos rótulos e das homenagens fora de lugar,
Miguel Arraes morreu em 13 de agosto de 2005, mesmo dia em que Eduardo Campos,
seu neto e herdeiro político, perdeu a vida em um acidente aéreo enquanto cumpria
agenda como candidato à Presidência da República, em 2014.
Adorado e ovacionado por
admiradores e correligionários, Doutor Arraes, como é respeitosamente chamado, ainda faz parte do imaginário coletivo de pernambucanos, nordestinos e
todos os que continuam a enxergar nele a figura do político correto que tinha o jeito, a alma, os gostos e o cheiro do povo.
FRASES
"Acho
que o personalismo em política é um erro, nós devemos é lutar para que surjam
quadros novos (...). A posição de chefe, em política, é um grave defeito, um
grave erro".
"Nunca
me preocupei com rótulos. O rótulo de radical, conciliador, não tem nenhum
sentido para mim, como não tinha sentido me chamarem de comunista no passado. O
que importa é a prática política; o que importa são os posicionamentos que se
tomam ao lado de determinadas camadas sociais em defesa de teses que interessam
à nação como um todo".
"Minha
vida todo mundo pode saber, pois nunca gostei de dinheiro pra ter muito
dinheiro. Gosto de dinheiro pra gastar. Pra gastar, todo mundo gosta. Mas, pra
ter dinheiro... Dinheiro é uma coisa perigosa. Na mão de um homem público é um
desastre".
"Não
defendemos nem um Estado mínimo nem máximo. Defendemos e lutamos, isso sim, por
um Estado que, a partir de suas peculiaridades, cumpra suas finalidades públicas".
"O
socialismo não precisa ser redefinido. O socialismo é fruto das contradições da
sociedade".
"Eu
acho que a humanidade tem de encontrar um sistema que busque uma solução
satisfatória para todos e pregue a pacificação das relações humanas. O
socialismo seria essa busca da solução satisfatória para todos. O que se viu no
Leste Europeu não era socialismo. Eram regimes de grandes partidos, bastante
assistencialistas. A juventude não foi incorporada, não se identificou com o
processo".
"Irão
dizer que [Luiz Inácio] Lula é incompetente, como se competência viesse dos
livros dos eruditos. Lula é competente porque viveu com o povo e com os
trabalhadores. É aquele que pode trazer tranquilidade para o país porque
aprendeu a negociar nos sindicatos os direitos dos trabalhadores sem
vacilar".
"O
Lula sofreu uma derrota política nas eleições presidenciais, mas continua com o
mesmo discurso de derrotado. Não será jamais ouvido. Quando você é derrotado,
tem de examinar sua derrota, tem de se compor".
"Ele
não parece em nada com o Juscelino, mas com o Dutra, assessorado pelos
americanos. Juscelino se levantou contra o FMI e Prestes foi ao Palácio se
solidarizar com ele. Quando a gente vai se solidarizar com FHC por se opor ao
FMI?", sobre Fernando Henrique Cardoso.

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