26 de fev. de 2016

VIOLÊNCIA GRADUADA

Estudo revela as violências que as mulheres ainda sofrem no âmbito das universidades e expõe a falta de preparo das instituições em lidar com o problema

Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil (26/11/2015)

Em parceria com o Instituto Avon, o Instituto Data Popular divulgou recentemente levantamento sobre violência contra a mulher no ambiente universitário e apresentou números que compravam a vulnerabilidade, o desrespeito e a insegurança enfrentada por elas nas universidades brasileiras.

A pesquisa foi realizada ao longo de setembro e outubro de 2015 e ouviu de forma qualitativa e quantitativa 1823 universitários dos cursos de graduação e pós-graduação em todo o país. 

Especialistas no assunto também foram consultados em entrevistas de profundidade. Contudo, apesar da gravidade do problema a situação não mudou.

De acordo com o estudo, 10% das mulheres relataram espontaneamente ter sofrido violência de um homem na universidade ou em festas acadêmicas. 

Quando as mesmas perguntas foram feitas de forma estimulada, apresentando uma lista de violências, esse número subiu para 67%.

Os homens também responderam a mesma pergunta, mas somente 2% admitiram espontaneamente ter cometido algum ato de violência contra uma mulher dentro da universidade ou em festas acadêmicas. 

Já quando estimulados, a partir da lista de atos violentos, 38% admitiram ter cometido as violências descritas.


INSEGURANÇA E MEDO


Questionadas sobre a insegurança no âmbito das universidades, 42% das entrevistas afirmaram que já tiveram medo de sofrer violência no ambiente universitário e 36% já deixaram de fazer alguma atividade nessas instituições por receio de sofrer agressão física.

Entre as formas de violência pesquisadas estão o assédio sexual (comentários com apelos sexuais indesejados, cantada ofensiva e abordagem agressiva);

Coerção (ingestão forçada de bebida e/ou drogas, ser obrigada a participar de atividades degradantes como desfiles ou leilões);

Violência sexual (estupro, tentativa de abuso, enquanto efeito do álcool, ser forçada a beijar veterano);

Violência física (ser agredida fisicamente);

Desqualificação intelectual (piadas ofensivas por ser mulher);

Agressão moral e psicológica (Humilhação por professores e alunos, xingadas por rejeitar investidas, ofensa, etc.).

Em relação à agressão moral/psicológica, as imagens repassadas sem autorização ou a classificação em rankings sexuais e de beleza também integraram a lista: 24% das mulheres consultadas foram colocadas nesses rankings sem autorização e 14% delas tiveram fotos ou vídeos repassados sem sua permissão.

Entretanto, 71% de homens e mulheres têm conhecimento desse tipo de caso, 52% delas já sofreram algum deles e 24% dos homens admitiram que já cometeram atos dessa natureza.


NEGAÇÃO MASCULINA


Os estudantes masculinos ainda não reconhecem como violências muitos dos atos apresentados na lista estimulada, sendo que 27% não consideram violência abusar das garotas se elas estiverem alcoolizadas, 35% não consideram violências colocá-las em situações degradantes e 31% não vêem como abuso repassar fotos ou vídeos das colegas sem autorização delas.

Na cabeça do homem tudo isso é visto como consequência natural do comportamento da mulher ou como brincadeiras sem intenção de ofender ou intimidar.

Em relação ao assédio sexual, 73% de homens e mulheres conhecem casos assim, 56% delas já sofreram essa qualidade de violência e 26% dos homens já cometeram esse tipo de abuso.

Quando abordados sobre a coerção, 12% dos homens entrevistados assumiram que forçaram suas colegas a ingerir drogas ou bebidas alcoólicas. 12% das meninas disseram que já foram forçadas a ficarem alcoolizadas ou drogadas, 32% conhecem casos assim e 18% já foram vítimas.

No aspecto desqualificação intelectual, que envolve piadas ofensivas, os números também são altos: 62% de ambos os sexos sabem de casos, 49% delas já sofreram e 19% deles já praticaram.

Quanto a violência física ou agressão sem conotação sexual, a situação não é muito diferente e 62% de mulheres e homens têm conhecimento de casos, 49% das garotas já foram vítimas e 19% dos garotos que praticaram esse tipo de desmando.

Quando o assunto partiu para o lado da violência sexual, o que inclui tentativa de abuso sob efeito do álcool e toque sem permissão, 14% das garotas ouvidas conhecem casos de mulheres estupradas, 11% sofreram abuso quando alcoolizadas e 13% dos homens ouvidos confessaram que já cometeram estupro.


ATITUDE JÁ


Apesar da gravidade dos dados, a maioria das mulheres ainda deixa para lá, sendo que 63% admitem não ter reagido quando sofreram cada uma das violências pesquisadas, porém a maior parte quer uma atitude por parte das universidades.

Todavia, 64% dos homens e 78% das garotas concordam que o tema violência contra a mulher deveria ser incluído nas aulas.

Esse número ainda é maior quando questionados se as universidades deveriam criar meios de punir os agressores por cometer violência contra as mulheres dentro dessas instituições: 88% dos entrevistados responderam que sim e 95% das entrevistadas também concordaram.

Os números são alarmantes. As autoridades têm acesso aos dados, agora é agir. 

Universidades, mulheres, homens e a sociedade precisam tomar uma atitude punitiva urgente para combater e coibir os abusos. Isso é o mínimo que podem e devem fazer. 


24 de fev. de 2016

CAMINHOS OPOSTOS


Presidente Dilma Rousseff
Foto: Antônio Cruz / Agência Brasil (10/12/2014) Fotos Públicas


A presidente Dilma Rousseff e o PT parecem estar cada vez mais distantes. A relação que já não era muito boa, tornou-se pior depois que a imprensa divulgou na última sexta-feira (20/02) que o governo poderá adotar medidas drásticas através de uma nova reforma fiscal.

A possibilidade de mexer ou mudar a forma de reajuste do salário mínimo foi o estopim e a gota d’água para que o descontentamento atingisse o limite da exaustão, conforme informou a jornalista Mônica Bérgamo em sua coluna na Folha de S. Paulo.

Fazer uma DR, ou seja, discutir a relação, parece passar longe das intenções de ambos os lados. As mágoas e os ressentimentos recheados de orgulho ferido não deixam.

O foco central da iminente separação é, do lado de Dilma, os respingos que as denúncias que envolvem o partido têm provocado na imagem da presidente que vê, a todo tempo, sua competência e honestidade colocadas em dúvida e misturadas ao balaio de gatos que se tonou o PT.

Do lado do Partido dos Trabalhadores a insatisfação se dá por conta do estilo Dilma de governar e das decisões que ela toma sem consultar o partido. 

A presidente, aos olhos do PT, tornou-se rebelde e traiu a confiança petista ao dar a entender que pode adotar medidas que colocariam em risco as conquistas sociais implantadas nos mandatos de Lula.

O fato é que há algum tempo a relação entre ambas as partes se tornou fria e formal. Desde que foi reeleita, Dilma vive uma crise de solidão política.

Isolada no Planalto, mantém-se distante e é mantida à distância também. Os dois lados vivem uma relação de aparência e de conveniências, embora neguem.

As cobranças e desabafos descontentes têm justificativas parecidas: O PT acusa a presidente de não defender o partido e Dilma acusa o partido de não apoiar publicamente as medidas adotadas por seu governo.

Nessa relação afetivamente machucada, a preocupação não é se os dois lados vão voltar a caminhar juntos, mas até que ponto uma possível ruptura pode prejudicar a governabilidade do país.

Brigas entre comuns são normais, acontecem sempre. Separações também, assim como reconciliações. A preocupação é o que de bom e ruim isso pode resultar para o Brasil.

Aí a relação não diz respeito apenas ao "casal", mas a todos nós. De qualquer forma, que a solução, seja qual for, ocorra para o bem do país. Afinal de contas, os governos passam, mas o Estado fica.

Contudo, humildade e canja de galinha não fazem mal a ninguém. Além do mais, “nem sempre é preciso sacrificar um animal ferido. Ás vezes basta apenas extrair o espinho da pata dele”.


23 de fev. de 2016

OS FINS E OS MEIOS

Foto: Reprodução

Na política a maioria das situações acontecem de forma estranha e aparentemente desordenada. Não importa a lógica, mas o sentido prático das coisas, desde que se consiga o objetivo desejado.

Comportamentos insistentes fazem com que o agir e o pensar político muitas vezes ocorram impulsivamente, sejam quais forem as consequências boas ou más que deles possam advir.

O que interessa é o poder, combustível que alimenta e comanda a vontade dos políticos e dos antipolíticos. Poder que, entre mil faces e disfarces, torna-se benção ou maldição.

Enfim, é esse o desejo que os une nossa classe política e, em algum momento, pode torná-los iguais.

Muitos desses Zoon Politikon ou animais políticos, invés de, ao menos, serem maquiavelistas, preferem ser maquiavélicos, pois assim seus fins e seus meios são justificados (ou injustificados) por si sós, sem remorsos nem pudor, mesmo que distorçam o real sentido das coisas e provoquem danos irreparáveis.

O objetivo é causar. Fazer barulho para chamar a atenção, desestabilizar, afinal de contas é preciso o caos para que se estabeleça a ordem.

A prisão do marqueteiro João Santana e sua esposa é mais um passo para tirar do poder quem foi democraticamente eleito pelo voto da maioria, não importa se a vitória foi absoluta ou apertada.

O que não sai por cima, sai por baixo. Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura. De tanto ir à fonte, o vaso um dia quebra. Quem procura, acha. Ditos populares simples, mas capazes de exprimir e sintetizar o sentimento dos derrotados e do momento atual.

Já não importa mais "cortar o mal pela raiz", é preciso impedir que ele se expanda e finque raízes onde está. Por isso, em vez do golpe, a lei e seus argumentos duvidáveis. 

Mudou-se o meio, mas o fim continua o mesmo.

Muitos brasileiros acreditaram, talvez por um surto momentâneo de ingenuidade romântica, que a Operação Lava Jato seria uma oportunidade efetiva para se limpar o Brasil.

Hoje, a partir das últimas atitudes de seus juízes e da vontade insaciável deles em achar pelo em ovo, começa-se a suspeitar de suas “boas intenções” e a acreditar que o que querem de fato é favorecer seus pares.

Tanto os parlamentares quanto os juízes parecem dispostos a fazer isso a todo custo, mesmo que tenham que criar argumentos incontestáveis para favorecer a lógica aparentemente desordenada da política. 

Aí sim, infelizmente, os fins vão justificar os meios. 

Precisamos de fato limpar o Brasil. Fazer isso a todo custo pode até ser digno, mas a partir do momento em que põe em risco a estabilidade do país, passa a ser irresponsável, maléfico e egocêntrico. E isso é inaceitável.

22 de fev. de 2016

ARQUIVO VIVO


Mesa do senador Delcídio do Amaral vazia
Foto:Antônio Cruz/Agência Brasil (26/11/2015) Fotos Públicas
O Senado Federal e o PT terão pela frente uma batata quente nas mãos. A soltura do Senador Delcídio do Amaral na última sexta-feira (19/02) pode pôr em risco a tranquilidade do seu partido e a prêmio a cabeça de muitos parlamentares, caso tenha seu mandato cassado.

Se Delcídio preso é era um perigo iminente, solto tornou-se uma ameaça real.

Ao afirmar que se for impedido de continuar cumprindo seu mandato leva metade do Senado junto com ele, o senador petista dá a entender que ele sabe mais do que poderiam supor e além do que deveria.

Sabe-se lá o que Delcídio sabe!

Na dúvida se as ameaças do senador sul mato-grossense são ou não blefe, já tem muita gente na capital federal colocando as barbas de molho.

Bem considerado no meio político, amigo de todos, Delcídio teve sua reputação manchada ao ser preso pela Lava a Jato e ficar encarcerado por três meses. Tornou-se fera ferida na alma e no coração.

É ai que mora o perigo, pois como já disse Friedrich Nietzsche, “é mais fácil lidar com uma má consciência do que com uma má reputação”.

O cheiro acre das afirmações de Amaral é o indicio de que o abacaxi que os políticos terão de descascar com a volta dele ao Senado vai ser bem azedo e não deixa dúvidas de que há algo de podre no reino de Brasília.

Entre cobras e lagartos, o Senado e os personagens ligados direta e indiretamente a Delcídio do Amaral têm poucas e fracas opções de solução para o impasse que terão de enfrentar. 

Diante da sinuca de bico em que os políticos da Câmara Alta se encontram, o dilema é animal: se correr Delcídio pega, se ficar Delcídio come.

19 de fev. de 2016

RAPIDINHAS DIVERSAS

Joaquim Silva Filho

Verdades Secretas

Fernando Henrique Cardoso
Foto: Wilson Dias / Agência Brasil (23/05/2015) Fotos Públicas

Muitos políticos acenderam o sinal amarelo depois que a jornalista Miriam Dutra denunciou que seu ex-namorado, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, utilizou a Brasif S.A Exportação e Importação para  lhe enviar 3.000 dólares mensais e bancá-la no exterior durante o período de 1980 a 1990.

Miriam afirmou à Folha de S. Paulo que Fernando Henrique também usou uma outra empresa para custear as despesas do filho dela de 1994 a 2002, época em que FHC ainda era presidente do Brasil e estava casado com Ruth Cardoso.

O temor dos parlamentares é que suas ex-namoradas e ex-amantes também rasguem o verbo e resolvam contar tudo o que sabem.

Se essa onda pega, muito político vai querer ficar sozinho e muitas ex-companheiras vão exigir pensão alimentícia extra para ficar de bico fechado.

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Digno de Aplausos

Foto: Sie Oficial da MITsp

Os ingressos para a 3ª MITsp (Mostra Internacional de Teatro de São Paulo) começaram a ser vendidos nessa quinta-feira (18/02). Assim como nas outras edições a procura deve ser grande.

O evento idealizado por Antônio Araújo (diretor do Teatro da Vertigem e professor da ECA-USP) e Guilherme Marques (diretor geral do CIT – Centro de Teatro Internacional Ecum) vem se consolidando como um dos mais importantes no mundo das artes cênicas.

De 04 a 13 de março, encenadores da França, Polônia, África do Sul, Grécia, Bélgica, Congo, Alemanha e Brasil apresentarão espetáculos, debaterão temas voltados à arte de representar e realizarão workshops sobre processos criativos em vários teatros de São Paulo.

As duas últimas edições reuniram mais de 30 mil espectadores  que conheceram o que 15 países têm de mais inovador em termos de artes cênicas.

Acesse www.mitsp.org e fique por dentro da programação.

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Charada Brasil

Foto: Perfil no Facebook

Depois de lançar em São Paulo seu livro Supla: Crônicas e fotos do Charada Brasileiro, com prefácio de Marta Suplicy e Eduardo Suplicy, o roqueiro estará em Belo Horizonte no dia 23 de fevereiro no BH Shopping para uma sessão de autógrafos.

O livro retrata fatos e fotos divertidos dos 30 anos de carreira do cantor que em abril completa 50 anos de vida. 

O lançamento em São Paulo foi concorrido e contou com a presença de artista, políticos e da família Suplicy.

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Confiança em baixa

Foto: Valdecir Galor / SCMCS (29/10/2015) Fotos Públicas

A pesquisa Pulso Brasil, realizada pelo Instituto Ipsos para a Associação Comercial de São Paulo, constatou que 54% dos brasileiros entrevistados se sentem inseguros em manter seus empregos.

O número de brasileiros receosos em ficar desempregados dobrou em relação ao mesmo período de 2015 quando 27% dos entrevistados fizeram a mesma afirmação.

Cada entrevistado também disse conhecer, em média, pelos menos quatro pessoas que perderam o emprego nos últimos seis meses. É o maior número desde que a pesquisa foi criada em 2005.

Segundo a ACSP, em janeiro de 2016, 52% dos entrevistados avaliaram sua situação financeira atual como ruim e apenas 24% como boa. Há uma ano, essa relação era de 32% e 40%, respectivamente.

O INC – Índice de Confiança do Consumidor registrou alta apenas na região Nordeste (de 82% para 91%). No Sudeste, caiu de 70 para 66 pontos percentuais, no Norte/Centro Oeste de 91 para 81 e no Sul de 74 para 63 pontos porcentuais.



A classe DE foi a única que apresentou aumento na confiança (de 90 para 92 pontos). Na classe C os índices caíram de 76 para 73 pontos e Na classe AB de 64 para 62%.

De acordo com os analistas da pesquisa  o aumento de confiança dos nordestinos e da classe DE se deu devido ao reajuste do salário mínimo que impacta mais esses dois grupos.

O INC de janeiro foi elaborado pelo Instituto Ipsos a partir de 1.200 entrevistas domiciliares em 72 municípios brasileiros através de amostra representativa da população de áreas urbanas levantada pelo Censo de 2010 e pelo PNAD de 2013, com base em dados do IBGE.

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Cidadania

Foto: Reprodução

No próximo domingo (21/02) acontece, das 9h as 17h, a eleição dos Conselhos Tutelares da cidade de São Paulo. 

Os conselhos são instrumentos democráticos que zelam pelo cumprimento dos direitos das crianças e dos adolescentes.

Os 260 eleitos tomarão posse no dia 6 de março e trabalharão para o cumprimento dos direitos estabelecidos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e na Constituição do Brasil.

A participação popular é muito importante e indispensável, principalmente a dos pais. 

Vamos todos juntos participar!

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Justo e merecido

Foto: Reprodução

O livro “Pedagogia do Oprimido”, do educador Paulo Freire, foi o único título brasileiro que apareceu na lista dos 100 livros mais pedidos pelas universidades de língua inglesa e ficou em segundo lugar entre as obras da área de Educação do Open Syllabus.

Desde 2012 Paulo Freire é o Patrono da Educação Brasileira. 

O filósofo, pedagogista e educador pernambucano é reconhecido mundialmente por mais de 100 instituições internacionais. 

Freire possui mais de dez livros publicados em 30 idiomas e tem mais de 40 títulos honoris causa.

A partir da sua Pedagogia da Libertação ajudou muitos cidadãos a livrarem-se do jugo desigual e limitante. 

Suas ideias e pensamentos que defendem a educação como um instrumento para práticas libertárias continuam influenciando pensadores em todo o mundo.

O Projeto Programa Open Syllabus reúne esforços para estabelecer o primeiro banco de dados online em grande escala e desenvolver ferramentas administrativas que contribuam para a criação de novas pesquisas e métodos de ensino.

Pedagogia do Oprimido deveria ser leitura indispensável nas universidades brasileiras.

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Bons de garfo

Deputados jurando servir ao Brasil
Foto: Luis Macedo / Câmara dos Deputados (1/02/2015) Fotos Públicas

O ano politico mal começou e a expectativa em relação à presença dos parlamentares nas sessões do Congresso não é da melhores. 

Com as eleições municipais de 2016 batendo à porta e começando a chamar a atenção das pautas jornalísticas, muitos parlamentares estão com um pé em Brasília e outro nos municípios.

A partir de junho as ausências devem aumentar consideravelmente e, na mesma proporção, o número de faltas justificadas. 

Acredite: a maioria das faltas são abonadas por atestados assinados por médicos ou dentistas.

Segundo dados do site Congresso em Foco, menos de 4% dos deputados foram a todas as sessões em que a presença era obrigatória em 2015.

Entretanto, a maioria dos nossos ilustres representantes não abrem mão de seus benefícios nem que a vaca tussa. 

Em 2015, apenas 123 dos 540 parlamentares se negaram a receber o reembolso com gastos de alimentação. 

O cidadão pagou R$ 1,87 milhão para custear as despesas de políticos com café da manhã, almoço, lanche e jantar. 

Sou faltou a ceia.

Enquanto isso, em São Paulo R$ 2 bilhões foram desviados pela máfia do merendão.

Em época de eleição, as câmaras municipais costumam registrar menor presença de vereadores que durante quatro anos aparecem na maioria das vezes só para mudar ou dar nome a novas ruas. 

Projetos de leis que melhorem a vida do cidadão, nem pensar.

É mole ou quer mais?

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Dupla dinâmica


Foto: Reprodução

Tem político que não se emenda. O deputado federal Paulinho da Força, presidente nacional do Solidariedade é um deles. 

Nada solidário, voltou a defender o impeachment da presidente Dilma Rousseff em rede nacional, acusando-a de mentir e apoiar a corrupção.

Esqueceu-se no entanto de dizer nas propagandas que veicula em rádio e TV que ele próprio é réu em  um processo por desvio de dinheiro do BNDES.

Usando a estratégia do faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço, já está sendo chamado nas redes sociais de Paulinho das Forças do Mal e Paulinho da Forca.

Foto: Facebook


Outro que também vem sendo alvo das piadas dos fãs do Facebook é Fernando Capez (PSDB/SP), presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo.

Foto de Capez, que teve seu sigilo bancário quebrado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo por suposto envolvimento no esquema propinas da merenda de crianças e adolescentes das escolas estaduais paulistas, está sendo exibida no Face revelando a contradição do merendeiro e ironizando seus gritos de fora Dilma e abaixo a corrupção, durante os últimos protestos pró impeachment.

Tratando-se de política, a galinha do vizinho é sempre mais gorda do que a minha e pimenta na corrupção do outro é refresco.

Segue a vida que a vida segue!


18 de fev. de 2016

VITÓRIA NA GUERRA


Leonardo Picciani e Dilma Rousseff
Foto: Reprodução

A Presidente Dilma Rousseff levou a melhor na primeira queda de braço do ano com Eduardo Cunha. A reeleição de Leonardo Picciani (RJ) para a liderança do PMDB na Câmara dos Deputados, ontem (17/02), deu alivio e ânimo ao governo. Pelos menos por enquanto.

A derrota de Cunha e vitória de Dilma deixa o governo um pouco mais tranquilo. A presidente passa a ter representação significativa na Casa e, se souber agir politica e diplomaticamente, poderá ajudar Picciani a obter maior representatividade na Câmara Baixa.

Contudo, na política, como na vida, nada é de graça. Políticos não agem por filantropia, mas por interesse. O Congresso Nacional não é casa de caridade, nem ONG e muito menos instituição beneficente. Ali tudo e todos têm seu preço.

Considerando as circunstâncias do momento e o placar apertado, o valor a ser cobrado pela façanha deverá ser alto.

A vitória suada valorizou o passe de Picciani. Uma hora a fatura virá, basta saber quais são os itens que serão cobrados.

Picciani possui o trunfo de poder indicar oito dos 65 membros da comissão que analisará o pedido de impedimento da presidente, daí o alívio do governo. 

O sucesso ou fracasso dele dependerá de sua habilidade política e capacidade de negociação, requisitos que serão bastante exigidos, já que terá pela frente grandes desafios: ajudar o governo a aprovar a recriação da CPMF e a reforma da Previdência.

Leonardo Picciani e  Eduardo Cunha
Foto: Reprodução
No jogo de xadrez que se transformou a política brasileira atualmente, digamos que na situação de momento, em relação ao PMDB, Picciani é o Rei, Dilma é a Torre, Cunha o Bispo, a Oposição é o Cavalo e o brasileiro, como sempre, o Peão. Literalmente.

Na disputa política de ontem, Eduardo Cunha perdeu a batalha, mas não a guerra. Está ferido, mas não morto.

Levando em conta o poder de regeneração do, por enquanto ainda presidente da Câmara, e a capacidade nata do PMDB de ser volúvel e de dançar conforme a música, tudo pode acontecer.

Dilma tem que ficar esperta. Tratando-se de PMDB nada é garantido. A presidente, venceu hoje, mas amanhã poderá ser derrotada; foi dormir de pijama, mas poderá acordar sem roupa.

Por enquanto pode-se dizer que para Dilma o momento tá tranquilo, tá favorável. Mas, como no Congresso tudo é uma questão de tempo, o agora pode estar por um segundo. 

É aguardar pra ver e conferir como serão distribuídos os despojos da batalha.

17 de fev. de 2016

MUDANÇA DE HÁBITOS

Consumidor está preferindo utilizar mais as plataformas digitais em suas compras, apontam pesquisas.

Foto: Marcelo Pinto / APlateia (30/06/2015) Fotos Públicas


O brasileiro está participando menos das promoções de shopping, comprando mais pela internet e redimensionado as estratégias de consumo, apontam estudos realizados por institutos de pesquisa de mercado.


De acordo com levantamento publicado recentemente pelo IBOPE Inteligência, o Natal, umas das épocas em que ocorre o maior número de procura por promoções, registrou uma queda de 25% no interesse do brasileiro por essa estratégia de venda no período de 2013 a 2015. 

Fonte: IBOPE Inteligência

Com a economia em recessão, a tendência é que esse índice cresça ou no mínimo se estabilize nas datas comemorativas ao longo dos próximos anos.

Com menos dinheiro no bolso, os consumidores viram diminuídas as oportunidades de acumular mais cupons oferecidos em sorteios, chamariz das ofertas oferecidas nos shoppings, apesar das promoções do tipo comprou-levou terem ampliado sua presença nesses centros de compra.


Segundo a diretora executiva do IBOPE, Márcia Sola, os resultados da pesquisa refletem as dificuldades por que passa o varejo. “Com menos pessoas nos corredores dos shoppings, caíram também as vendas e o ticket médio, afastando a participação dos clientes nas promoções”, ressaltou.


Fonte: IBOPE Inteligência
O levantamento, feito com 979 consumidores em todo o país, já havia sido realizado dois anos antes e aferiu que a queda de participantes é maior entre as mulheres, pessoas de 24 a 34 anos e entre consumidores da classe C.
Foto: Marcos Santos / USP Imagens (27/10/2015) Fotos Públicas

Por outro lado, houve um avanço das compras on-line.

A probabilidade de que os consumidores recorram aos computadores, smartphones e tablets para comprar presentes, conferir indicações, fazer pesquisa e comparação de preços, acessar cupons on-line e realizar pagamento, tornou-se maior.

Levantamento realizado recentemente pela KPMG, empresa que presta serviços de Auditoria e Consultoria de Gestão e Estratégia em mais de 150 países, apontou que o ritmo das mudanças de hábito dos consumidores que optam pelas plataformas on-line segue acelerado.

Em termos de confiabilidade a situação não é diferente. O último estudo realizado em 2015 pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) constatou que o brasileiro confia mais nas compras pela internet.

Comodidade, preços baixos, economia de tempo e facilidade em realizar compras a qualquer hora e comparar preços com rapidez e diversidade estão entre as vantagens apontadas pelos consumidores, o que indica fortalecimento do comércio virtual. Em 2015 o varejo online movimentou R$ 63,9 bilhões.

Pelo que tudo índica, as lojas físicas vão ter que caprichar mais nas promoções e rezar muito pelo reaquecimento da economia. 

Resta ao consumidor saber aproveitar o momento e exigir mais vantagens.

16 de fev. de 2016

BONS VENTOS...


Foto: Reprodução

O Supremo Tribunal Federal (STF) deu o primeiro passo para que Eduardo Cunha (PMDB/RJ) seja afastado da presidência da Câmara dos Deputados. A notificação foi entregue na manhã desta terça-feira (16/02). A partir de agora, Cunha tem dez dias para apresentar defesa.

Um pequeno passo, mas um grande salto para a política. Vai ao encontro do desejo de 80% da população que, em pesquisa realizada pelo DataFolha no final de 2015, declarou ser favorável à cassação do peemedebista.

O afastamento ou cassação de Cunha é o que, fazendo uma analogia com a química, podemos chamar de sedimentação política ou processo de separação de compostos heterogêneos.

Assim como ocorre na química, a gravidade política atrai para o fundo o elemento mais pesado. 

Em um segundo momento ocorre a decantação ou a cisão definitiva dos elementos incompatíveis. A separação do joio do trigo.

A ação que o Supremo Tribunal Federal realizou hoje é uma ótima oportunidade para se iniciar o processo de limpeza e purificação do Congresso Nacional. 

Em tempos de faxina geral na política, a população tem no mês de outubro outra grande oportunidade para purificar os ares políticos brasileiros: as eleições municipais. 

As eleições ainda continuam sendo um evento democrático que pode propiciar florescimento e renovação. Apesar de ser um processo delicado, ainda se faz imprescindível e urgentemente necessário em tempo de democracia aviltada.

Que as sementes que começaram a ser plantadas frutifiquem, marquem uma nova fase na história do Brasil e eliminem de uma vez por todas as ervas daninhas que insistem em nascer no terreno árido e pedregoso que ainda é a política nacional.